terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Mila (continuação)

Lembram-se daquela crônica (que aliás, eu tinha denominado de conto;perdoem-me pelo erro), Mila, que eu postei há um tempo atrás? Então, fuçando no meu computador encontrei uma continuação que eu havia feito e decidi postá-la. Espero que gostem. ;)

Ah, se João soubesse que Mila o admirava de longe. Que ela achava lindo o modo como ele sorria quando via o irmão mais novo brincando com os coleguinhas no pátio da escola, o modo como ele fechava os olhos quando escutava Wonderwall do Oasis, como ele a olhava profundamente quando ela passava por perto e, principalmente, pela compaixão que tinha pelo próximo. Para Mila, compaixão era o sentimento mais nobre que alguém poderia ter. Amor, achava lindo sim. Mas amar, era instinto. Todo mundo ama algum dia. E compaixão, ah, compaixão é para os raros!Compaixão é ajudar uma velhinha a atravessar a rua, oferecer um abraço amigo quando alguém se encontra em lágrimas, é dizer "eu te ajudo" quando alguém se encontra em perigo...E João, para espanto de Mila, agia assim. Espanto, mesmo. Afinal, todos seus amigos preocupavam-se somente em embebedar-se, em "pegar mais gatinhas" na próxima festa, em marcas de roupa famosa, ou no máximo no "american dream" que todos ali possuiam: virar o novo astro do rap e transar com 1.000 mulheres, pelo menos. Mas João não, João lia clássicos da literatura durante as aulas de matemática (porque as odiava) e dizia sempre ao professor de francês que seu maior sonho era ir à Paris. Nossa, como Mila o admirava por não ter o "american dream" como objetivo de vida!Mila o desejava. Mila queria deitar ao lado dele na grama e fechar os olhos quando escutassem Wonderwall, queria dividir com ele, nos dias frios, o capuccino, durante os intervalos de aula. Queria mais! Queria ouvir por todas as manhãs bobagens no ouvido, queria sentir o seu abraço que sempre parecia tão caloroso e aconchegante, queria que, além de a olhar profundamente, ele a beijasse profundamente!Ela era inteligente, sabia que João a desejava também. Contudo, o medo a impedia. O medo de descobrir que, tudo que sabia sobre ele, não passava de ilusão.

6 comentários:

Neal Cassady disse...

Sinceramente?
Como vôcê disse daquele meu texto...
Chegou a me arrepiar!
Muito bom!
Esse tipo de situação acontyece com alguma frequência...
Já aconteceu comigo!

Huahuahua

Até escrevi um texto parecido, mas estou com inveja!

Ficou muito melhor que o meu!

Me identifiquei bastante com o João...
Não é fácil ser diferente de todo mundo, não sonhar as mesmas coisas.
Não olhar as mulheres como pedaços de carne em um açougue.

E ter um bom tanto de timidez, pra atrapalhar a vida...

Resumindo, adorei o texto.
E, também, o anterior.
Alguns amores realmente não têm explicação...

Renata Belmonte disse...

Cá,
Suas visitas são sempre muito bacanas!
Bjs

Luíza disse...

Adorei a continuação, e sim, eu lembrava da primeira parte do texto!
Beijos Cá

Kálylla Ribeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
daniel moura disse...

Parabéns, ficou bom.
Mas é algum psêudonimo?

Karina disse...

O bom de hesitar é que quanto menor a expectativa, menor a decepção.
Ah, Cá, dá um final feliz pra eles.



p.s.: te amo.